O costume em Cachoeiro é o de criticar a escassez da cultura local e, principalmente, da falta de público para prestigiar o que é produzido. Pois agora, com a visão um tantinho mais ampliada, percebo que o dilema é sofrido também em outras localidades – em diferentes proporções, entretanto.
Pois que dia desses, 15 a 18 de setembro, ocorreu o 5º Festival Nacional de Vídeos Universitários, o REC. Das sessões que ocorreram na Universidade Federal do Espírito Santo, notei que o interesse dos vitorianos (incluindo aí os que moram em outras cidades, mas trabalham ou estudam em Vitória) pela cultura em geral não é lá tão exemplar assim.
No início de cada dia da mostra, o que se pôde notar eram filas respeitáveis e grande expectativa do público – a ponto de pessoas sentarem no chão do Teatro Universitário para assistirem aos vídeos. No entanto, dados alguns minutos após o início das sessões, praticamente um terço dos espectadores desistia do evento e corria para fora do teatro, reclamando sobre as produções.
Até esse ponto está tudo bem, afinal ninguém é obrigado a gostar de videoarte e o escambau. Mas o que incomodou mesmo, além da falta de educação eventual (celulares e conversas), foi o desinteresse geral pelo evento. Pois, veja bem, numa universidade federal, localizada numa cidade bem povoada como Vitória, a expectativa é de que o público seja mais amplo e um tanto heterogêneo. Todavia, além da falta de público, a impressão que se tem é a que as pessoas que se importam com tais acontecimentos são as mesmas.
Isso me fez pensar que o que mantém teatros cheios no Rio ou em São Paulo é essa minoria repetitiva, que enche os olhos por ser uma minoria de cidade grande, difícil de comparar à de uma cidade interiorana.
