
Dia desses estava assistindo à TV e dei de cara com a senhorita Ana Maria Braga apresentando o costumeiro “Mais Você” ao lado do Louro José. Levei um susto. Encolhi-me no sofá no primeiro momento. Depois, tive de me aproximar da tela para confirmar se era a própria a se apresentar no programa. Tinha certeza de estar contemplando o mais novo modelo andróide desenvolvido por alguma dessas empresas especializadíssimas em robótica internacionais. Provavelmente haveria uma filial instalada secretamente no Brasil e os técnicos estavam fazendo o teste inicial logo na Rede Globo: "Se conseguirmos enganar a todos os telespectadores, então os robôs serão um sucesso de vendas!". Apesar de estar bem na minha frente, na TV, eu não me convencia. O rosto da apresentadora quase não se movia. Sorriso mecanizado, dentes pálidos, a pele camuflada em camadas e camadas de pó. Era impossível que aquilo fosse um ser humano.
Certamente, não defendo a idéia de que as mulheres devam se descuidar da aparência só porque que uma idade mais avançada está se aproximando e que, já que ainda não foi desvendado o elixir da eterna juventude - o que nem é lá tanta vantagem assim -, não se deva usar ao menos um batonzinho antes de mostrarem a cara ao mundo. Entretanto, convenhamos que, ultimamente, há um certo exagero de cuidados estéticos, uma ânsia de se esticar a beleza da forma juvenil por tanto mais tempo que as mulheres se deixam mutilar de todas as formas e acabam por perder a própria identidade. O culto à filosofia do belo está deformando não só as expressões faciais, mas também a beleza em si.
Nos Estados Unidos, por exemplo, foi inaugurado, não sei quando, o Museu de Cera, “Palace of Wax”, onde ficam expostos os exemplares feitos de cera de várias celebridades hollywoodianas - e é facílimo confundir os bonecos com seus modelos verdadeiros. Tal bagunça me faz indagar com freqüência sobre esse processo ilusório: são os técnicos que estão cada vez mais eficientes ou são os próprios artistas que estão se congelando em cera para se imortalizarem em exemplares fiéis de sua imagem, como num perpétuo retrato? Pois a única certeza que tenho em relação a essas réplicas é a certeza de que os corações são feitos de Botox e os cérebros de silicone. O resto, como de se esperar, é enchimento. De qualquer forma, não é preciso ir tão longe para observar a alienação estética que tem parasitado a sociedade.
No Brasil, é de cansar a vista a quantidade de mulheres, já pelas casas da menopausa, exibindo as recentes plásticas e a falsa peitaria como se mal tivessem atingido a puberdade. O agravante é que, como se não bastasse fazerem de si próprias belas bonecas de porcelana, as ditas mães ainda carregam as filhas para o mesmo bisturi: ao invés de ganharem intercâmbios culturais ou bons livros, as meninas, no auge de seus 15 anos, ganham luxuosíssimas lipoaspirações e maquiagens definitivas. Está renovada, assim, a demanda de fêmeas acéfalas de que a sociedade tanto necessita para enfeitar seus seletíssimos eventos – como essas bienais que acontecem por aí.
E falando em bienais, nesta edição da Bienal Rubem Braga, por ilustração, havia mulheres e mulheres que gastaram todo o dinheiro do mês em jóias e vestidos caros - e não compraram um livro sequer. Sorrisos, aplausos, chicletes insistentes. Feita a pose, beijinhos de até logo e retornavam todas as bonecas a suas casas com grande expectativa de vangloriarem a cara plástica estampada no primeiro folhetim social.
Não me lembro de ter visto alguma das peruas interessadas na recém lançada biografia de Rubem ou em livro qualquer. Outras nem fingiam prestar atenção nos discursos entediantes e ficavam a tagarelar como se soltas num galinheiro. Quem dirá visitaram o pavilhão nos dias seguintes ao evento...
Mas, dadas tantas voltas por esse mundinho de mediocridades estéticas, ainda não consegui descobrir o verdadeiro porquê de tanta insatisfação pessoal e de enlouquecida procura pela perfeição.
Senhoras ostentando decotes abissais. Milhares de reais gastos em efêmera beleza. Mal sabem elas que um pezinho de galinha pode enlouquecer um homem sensato.
Certamente, não defendo a idéia de que as mulheres devam se descuidar da aparência só porque que uma idade mais avançada está se aproximando e que, já que ainda não foi desvendado o elixir da eterna juventude - o que nem é lá tanta vantagem assim -, não se deva usar ao menos um batonzinho antes de mostrarem a cara ao mundo. Entretanto, convenhamos que, ultimamente, há um certo exagero de cuidados estéticos, uma ânsia de se esticar a beleza da forma juvenil por tanto mais tempo que as mulheres se deixam mutilar de todas as formas e acabam por perder a própria identidade. O culto à filosofia do belo está deformando não só as expressões faciais, mas também a beleza em si.
Nos Estados Unidos, por exemplo, foi inaugurado, não sei quando, o Museu de Cera, “Palace of Wax”, onde ficam expostos os exemplares feitos de cera de várias celebridades hollywoodianas - e é facílimo confundir os bonecos com seus modelos verdadeiros. Tal bagunça me faz indagar com freqüência sobre esse processo ilusório: são os técnicos que estão cada vez mais eficientes ou são os próprios artistas que estão se congelando em cera para se imortalizarem em exemplares fiéis de sua imagem, como num perpétuo retrato? Pois a única certeza que tenho em relação a essas réplicas é a certeza de que os corações são feitos de Botox e os cérebros de silicone. O resto, como de se esperar, é enchimento. De qualquer forma, não é preciso ir tão longe para observar a alienação estética que tem parasitado a sociedade.
No Brasil, é de cansar a vista a quantidade de mulheres, já pelas casas da menopausa, exibindo as recentes plásticas e a falsa peitaria como se mal tivessem atingido a puberdade. O agravante é que, como se não bastasse fazerem de si próprias belas bonecas de porcelana, as ditas mães ainda carregam as filhas para o mesmo bisturi: ao invés de ganharem intercâmbios culturais ou bons livros, as meninas, no auge de seus 15 anos, ganham luxuosíssimas lipoaspirações e maquiagens definitivas. Está renovada, assim, a demanda de fêmeas acéfalas de que a sociedade tanto necessita para enfeitar seus seletíssimos eventos – como essas bienais que acontecem por aí.
E falando em bienais, nesta edição da Bienal Rubem Braga, por ilustração, havia mulheres e mulheres que gastaram todo o dinheiro do mês em jóias e vestidos caros - e não compraram um livro sequer. Sorrisos, aplausos, chicletes insistentes. Feita a pose, beijinhos de até logo e retornavam todas as bonecas a suas casas com grande expectativa de vangloriarem a cara plástica estampada no primeiro folhetim social.
Não me lembro de ter visto alguma das peruas interessadas na recém lançada biografia de Rubem ou em livro qualquer. Outras nem fingiam prestar atenção nos discursos entediantes e ficavam a tagarelar como se soltas num galinheiro. Quem dirá visitaram o pavilhão nos dias seguintes ao evento...
Mas, dadas tantas voltas por esse mundinho de mediocridades estéticas, ainda não consegui descobrir o verdadeiro porquê de tanta insatisfação pessoal e de enlouquecida procura pela perfeição.
Senhoras ostentando decotes abissais. Milhares de reais gastos em efêmera beleza. Mal sabem elas que um pezinho de galinha pode enlouquecer um homem sensato.



